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Escolas, Vestibulares e Mercado de Trabalho.

Em 7 de novembro de 2013 às 10:04 Por Ana Márcia Pini - Diretora Pedagógica


 “Ser educador é por as mãos no futuro!”

 Para pensar o futuro de nossos filhos/estudantes é necessário, minimamente, buscar respostas para questões relativas a três diferentes fases:

  1. Como prepará-los para o ingresso no Ensino Médio?
  2. O que será exigido dos nossos estudantes nos próximos Vestibulares?
  3. Em que Mercado de Trabalho nossos filhos irão ingressar?

Na busca por essas respostas e focados em oferecer um ensino humanizado e de excelência, torna-se premente considerar os diferentes momentos de desenvolvimento pelos quais os nossos alunos irão passar, afinal, só assim é possível decidir um fazer pedagógico responsável e efetivo. Desta maneira a possibilidade de favorecer aprendizagens reais e significativas fica ampliada e consequentemente, a preparação para as fases seguintes acontecerá naturalmente.

Um cuidado a se tomar quando olhamos para o futuro é não esvaziar o presente, a escola não pode ficar a serviço de um tempo que ainda virá. Aliás, o que conta a nossa experiência é que quando oferecemos conteúdos apropriados e metodologia adequada à fase de desenvolvimento, as aprendizagens são efetivas, acontecem mais rapidamente e transformam-se em capacidade de pensar e habilidades no fazer.

Então, primeiramente, quando pensamos em preparar nossos estudantes para o futuro, cabe à escola cumprir o seu papel, ou seja, humanizar o indivíduo, para que este se torne cidadão educado em nível de excelência, em condições, sim, de prosseguir estudos superiores com sucesso, mas principalmente, conquistar sua realização pessoal e profissional e contribuir para a melhoria da qualidade de vida da sociedade.

Mudanças importantes vêm se dando em todos os setores da nossa sociedade, os vestibulares cada vez mais aprovam os indivíduos que sabem operar com o conhecimento, ou seja, que sabem pensar, o acúmulo de informações já não é mais suficiente. O mercado de trabalho que se configura busca indivíduos com elevado grau de formação, mas com bom nível de inteligência emocional (características pessoais desenvolvidas na primeira infância). Algumas profissões de nível técnico vêm ganhando importância.

Considerando essas novas demandas, passamos a repensar alguns paradigmas, antes inquestionáveis, como por exemplo: será mesmo que o que se tem de mais importante a acontecer no futuro de nossos filhos/estudantes é passar no vestibular? Será mesmo que o acesso à universidade é a única possibilidade de garantia que tenham um futuro promissor?

Por tudo que venho lendo, pelos últimos congressos de que participei, pelas pesquisas a que tive acesso e pelas características que se anunciam do mercado de trabalho em futuro próximo, restringir o fazer escolar simplesmente a preparar os alunos para a próxima escola, para o vestibular, será insuficiente, será deixá-los jogados à própria sorte, até porque, muitos dos traços que lhes serão exigidos dependem de “trabalho de base”, da escola fundamental.

E que mercado de trabalho se anuncia? Quais serão os profissionais no futuro que terão lugar nesse mercado?

Muitos serviços e profissões serão extintos. Novas profissões surgirão atendendo às demandas da tecnologia, da globalização, das organizações e da sociedade do conhecimento.

O trabalho será desvinculado do emprego em sua acepção mais antiga, os ambientes serão interativos e de decisões colegiadas. As organizações deverão estar preparadas para adaptações a mudanças rápidas e a novas informações estruturais. A competitividade será altíssima. O conhecimento passa a ser o principal produtor de riqueza.

Dos futuros profissionais será exigido:

  • Capacidade de raciocínio, criatividade e iniciativa;
  • Capacidade de comunicação em mais de uma língua;
  • Conhecimento de linguagens não verbais que interpretam a realidade;
  • Capacidade de compreensão de outras culturas;
  • Capacidade para criar, decidir e trabalhar em grupo;
  • Capacidade de compreender estruturas abertas, pouco hierarquizadas;
  • Alta competência em leitura e escrita (descrever, analisar/comparar, expressar pensamentos);
  • Capacidade de trabalhar o conhecimento:
    • Saber o que se quer,
    • Saber buscar/acessar,
    • Saber operar
    • Pensamento e raciocínio estatístico:
      • Coletar, organizar e relativizar dados  – interpretar os fatos.
    • Alta competência em cálculo matemático e resolução de problemas;
    • Capacidade para descrever, analisar e criticar o ambiente social;
    • Capacidade para receber criticamente os meios de comunicação de massa.

Então pergunto: Será em uma sala de aula, onde o professor desenvolve, em tempo “record”,  a “matéria” com aulas expositivas, que nossos filhos/alunos, sentado passivamente num banco escolar, repetindo meramente o que lhes foi ensinado, desenvolverão as características que serão exigidas futuramente?


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